Li essa postagem hoje no "Fico na ponta dos pés", da Lais.
Gostei e me identifiquei tanto que quis colocar aqui ..."You are always looking at yourself, deciding what you don´t want to see."
White Denim
"Sou totalmente a favor do otimismo exagerado. Acho que ele é o irmão mais ingênuo e subestimado da fé, e que também pode - por falta de uma expressão menos bíblica - mover montanhas.
É por isso, e por viver reparando em mim (e nos outros) para saber o que quero mudar, que me identifiquei tanto com a letra da música acima. Não estar pronta vicia.
É difícil, mas repudiar o que não gostamos em nós mesmos é o caminho maluco e necessário que percorremos para descobrir o que falta. É a parte mais complicada também, porque acho que não se entender incomoda tanto quanto uma picada de mosquito na fronteira entre a sola e o peito do pé.
Imagino que este seja o processo universal, mas só posso falar por mim: A consciência da mudança vem antes e bagunçada. Nasce como um sentimento não articulável, como crianças descrevendo sintomas de dor. "Mãe, meu cérebro está boiando", foi o que a minha priminha considerou adequado dizer ao diagnosticar sua primeira dor de cabeça.
Como boa otimista, encontro conforto na sabedoria popular de que "há males que vem para o bem" e a preferida dos corações partidos: "O que tiver que ser, será".
Há!
Gostar de escutar tais clichês é muito diferente de confiar neles. A gente se engana um pouquinho.
Eu por exemplo, tento semanalmente mudar a angústia de domingo a noite pela ansiedade cega por segundas-feiras melhores. "A partir de amanhã, nunca mais vou cometer os mesmos erros".
Aham. Tá bom Claudinha, senta lá.
Aprendi há um tempo que a linha entre o otimismo exagerado e o auto engano é tênue e frágil, mas por algum motivo, continuo caminhando nela, vivendo no alto como equilibrista, na ponta dos pés, e fazendo malabarismo com as minhas melhores e piores crenças.
Apesar de falhar constantemente, realmente acredito na importância de uma crise de domingo a noite, de um belo tombo, e no poder da ressaca moral, como diz minha amiga. O erro é esperar a mágica e tirar de si a responsabilidade pelo trabalho duro.
Todos os dias escolhemos ser quem somos. Por exemplo, quero me alimentar melhor, mas não troco o chocolate por frutas nem que me paguem, logo escolho não mudar.
Estarei me enganando se disser que prefiro um bela maçã., mas serei madura se aceitar que não posso ter o chocolate e que tenho que me contentar com a fruta se quero alcançar meu objetivo de ter uma alimentação mais saudável.
A maçã, no caso, é o contrário da tentação.
A verdade é que não mudamos da noite para o dia. Não acordamos diferentes, simplesmente abrimos os olhos.
Mudar, principalmente os velhos e deliciosos hábitos, é dificil. Dá trabalho. Dói até.
É a reclamação recorrente dos ex-fumantes, que superam o vício pela nicotina mas continuam sentindo falta e combatendo diariamente a vontade de segurar o cigarro."

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